Dicionário da Mente

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Gostaria que Aurélio Buarque de Holanda, além de ter elaborado um dicionário, algo extremamente útil para quem convive com as letras, também pudesse ter tido um tempo para produzir um livro semelhante sobre a alma humana.

Imagem pinada

Seria, no mínimo, interessante, poder desbravar em apenas algumas páginas o que o Ser Humano, enquanto habita com seus “iguais”, deseja transmitir, de fato, naquele ou outro gesto, palavra…

Não é saudável dizer que Nelson Rodrigues, com suas críticas conservadoras da década de 60, expôs ao seu público a verdade sobre a essência humana. Como todo cronista, aquele era seu ponto de vista. Concomitantemente, não se pode afirmar que Clarice Lispector entendia o “psique” feminino. Ela não conheceu todas as mulheres.

Generalizar têm sido um dos males da sociedade urbanizada e depressiva do século XXI. Aliás, de todos os anteriores.

A grande revolução, ou algo hipoteticamente salvador, ao menos em partes, parecido com o que o personagem de Machado de Assis queria fazer com o seu “emplasto Brás Cubas”, seria criar um dicionário “mental”, isto é, obra capaz de decodificar o que o outro quis dizer. Sim, isso acabaria com muitos problemas. Ninguém mais poderia culpar um jornalista por dizer algo que estava “além do que sua fonte disse”. “Mas, senhor, isso aqui consta nas páginas do dicionário, é o que realmente significa!”…

“Eu sou inocente”. E ao procurar no livro expressão similar, o indivíduo descobriria a verdade. Quanta utopia, sim, estamos próximos do Natal, talvez o espírito natalino já esteja permeando as casas.

Ou, quando estivéssemos apaixonados, um simples olhar bastaria para que o receptor visse na obra o que aqueles olhos, na verdade, almejavam. Sem dizer simplesmente “Eu te Amo”. Pensando bem, isso acabaria com o romantismo. É bem mais bonito ver uma cena com um dizendo para o outro esta frase.

Devaneios…

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Confusão

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Fragmentos que a gente compõe em alguma viagem de trem. Características de aspirante a escritor ou jornalista, vai saber…

Banco de Imagens SXC

Confusão

Ela o odiava…

A garota o odiava… Porque os olhos dele a faziam esquecer-se de sua realidade…

Ela o odiava porque podia estar triste e desolada, mas se ele estivesse presente, os sentimentos ruins se desvaneciam…

A moça o detestava porque mesmo quando ela queria discutir, ele sorria e transformava a discussão em diálogo…

Ela o detestava porque sua voz parecia ser composta de obscuros encantos, que enterneciam a conversa…

A mulher o odiava porque mesmo após um dia cansativo, ela deixava de lado o sono porque ele estava ali…

Ela o odiava porque…Ele a completava.

Serviço de utilidade pública: cobranças indevidas por parte dos omissos bancos

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Nesta segunda, 30 de julho, me deparei com uma reportagem muito conveniente do UOL.  É o que chamamos de timing perfeito. Isto é, quando os fatos surgem e encaixam-se harmoniosamente nos seus devidos lugares. Diria que foi a Providência, como exaltava Edmond Dantés em “O Conde de Monte Cristo”.

A matéria alertava para um ardil dos bancos brasileiros: a omissão da conta isenta. Isso mesmo, cidadãos assalariados – ou simplesmente cidadãos, caso prefira – deste vasto território tupiniquim: caso você utilize pouco, apenas o que os funcionários de um banco determinam como “serviços básicos”, a célebre taxa de manutenção não precisa ser paga.

Dollars funnel.

Extraído de: SXC banco de imagens

O pacote gratuito é determinação do Banco Central desde 2008, que impõe tal critério a todos os bancos. O cliente que somente efetuar quatro saques mensais, duas transferências entre contas de um mesmo banco, retirar alguns extratos (um anual e dois do mês anterior) e usar dez folhas do velho cheque, tem o direito de não pagar nada para manter a conta no banco.

Coincidentemente, nos últimos dias enfrentei a tirania da falta de informação ou de atualização dos atendentes de um certo banco – nem tão criança assim (trocadilho barato). “Não há outra alternativa? Tenho que pagar esta taxa para manter a conta?”, eu dizia indolentemente. Ela, a atendente, me fitava com um certo ar déspota.

O que ela não imaginava era que, embora esta moçoila que vos fala agora fosse uma pequena cliente, ela tinha um grande ímpeto de sede de justiça, vingança, seja qual for o adjetivo. Isto posto, levei o assunto ao PROCON (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), após a negligência do banco em questão. Dito e feito: eu estava certa, havia sim um subterfúgio para não pagar os R$13,50 da taxa de manutenção.

Leitor, o valor de treze reais e cinquenta centavos, pode aparentemente ser ínfimo, mas, com alguns cálculos, chega-se a conclusão de que muitas coisas podem ser feitas com ele. Dá para adquirir uma boa revista, por exemplo (desde que não seja de fofocas); assistir a um filme (hoje em dia, até mesmo quem paga meia entrada precisa economizar); comprar um livro “underground” da editora L&PM Pocket, diga-se de passagem que suas obras possuem preços acessíveis (acabei de ler um a respeito da cultura beat, para os fãs de Jack Kerouac – autor do livro que inspirou o filme de Walter Salles “Na Estrada” -, uma dica) e uma infinidade de outras atividades – até mesmo para ir a uma exposição – por falar em mostras,  indico a recente “80 Anos do Movimento Constitucionalista de 1932, no Arquivo Público de São Paulo – precisamos de um pouco mais do que dez reais (some a ida e volta com o transporte público e quando o museu cobra o ingresso!). Mas, voltemos às tarifas.

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Extraído de: SXC banco de imagens

Fui firme e resoluta na minha decisão. Iria novamente até a agência exigir os meus direitos. Foi então que, repentinamente, vejo uma matéria sobre o que os bancos faziam – e fazem! – com centenas de outras pessoas e não somente com esta moça que vos escreve. Observei a influência desmedida do jornalismo – desta vez, positiva.

A reportagem apareceu também na emissora de televisão “SBT”. Ou seja, “agora senhores bancos, a máscara caiu”. Pensara eu cruelmente. Fui ao banco e cogitei que hesitariam até o último instante. Todavia, cederam ao meu desejo. Talvez devido a exposição desenfreada na mídia.

Tal atitude poderia ser um forte exemplo das barreiras antes instransponíveis, que o Jornalismo, com suas tenazes tão imponentes, agora pode ultrapassar.

Fonte:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/07/30/bancos-dificultam-contratacao-de-pacote-gratuito-de-tarifas-diz-idec.jhtm

Banco Central do Brasil (com a resolução):

http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2010/pdf/res_3919_v1_o.pdf

Presente de Natal antecipado: Quentin Tarantino em novo filme com DiCaprio

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Uma Thurman, interpretando “Mia Wallace” em Pulp Fiction

Sempre que ouço notícias de Tarantino, um tango parece circular pelo ambiente. Tango, Rockabilly, hits dos anos 60 e 70, entre outros gêneros musicais pouco populares, porém, com qualidade e marcantes, o que torna inconfundível a passagem do aclamado diretor pelos seus filmes. “Misirlou”, de 1962, na versão de Dick Dale e sua banda The Del-Tones, além de “Girl You’ll Be A Woman” desta vez tocada por Urge Overkiill, ambas tornaram-se mundialmente conhecidas (e eternizadas) após surgir em “Pulp Fiction”. Devido a fatores como esse, muitas “más línguas” dizem que este americano cria suas histórias baseando-se nos diversos estilos musicais, pelo fato das canções encaixarem-se de forma harmoniosa com as cenas. O que, ao meu ver, só torna o diretor ainda mais fantástico.

De fato, em uma das cenas de “Cães de Aluguel” (1992), na qual um policial tem sua orelha cortada ao som de “Stuck In A Middle Of You”, dos Stealers Wheel, ficou simplesmente perfeita – e macabra. Talvez, Tarantino escutou e apreciou “Don’t Let Me Be Misunderstood” – canção de Nina Simone, mas que embalou os corações brasileiros nos ritmos da banda latina Santa Esmeralda (a música ecoou na novela “Explode Coração”), em que assumiu a forma de um caliente tango – e ficou inspirado para produzir a briga de espadas entre a “Noiva” (Uma Thurman) e O-Ren Ishii (Lucy Liu), em “Kill Bill – Volume I”.No próximo Natal, exatamente em 25 de dezembro, outra obra de Tarantino é apresentada ao público. “Django Livre”, com Jammie Fox, Leonardo DiCaprio e ninguém mais, ninguém menos do que Samuel L. Jackson, entre outros. É como se o praticamente autodidata Tarantino, tivesse reunido outra vez estrelas para formar uma nova constelação (como fez em “Pulp Fiction”, com John Travolta, Samuel L. Jackson e Uma Thurman).

A história se passa nos Estados Unidos, no sul do país, em um estilo “a lá faroeste”. Django (Foxx) é um escravo que repentinamente se vê unido a um caçador de recompensas (Christoph Waltz), em que juntos, passam a caçar criminosos pela região, além de Django buscar pelas pistas de sua esposa, que foi sequestrada por Calvin Candie (DiCaprio).

O ator Will Smith foi cogitado para encarnar “Django”, mas por questões de tempo e outros trabalhos, hesitou em aceitar a proposta. Ver o eterno “Um Maluco No Pedaço” seria uma outra jogada de mestre, porque teria um toque diferente, peculiar.

O filme estreia em 18 de janeiro de 2013 nas telas brasileiras.

Um pouco de Quentin Tarantino

Famoso por suas trilhas sonoras arrepiantes (sem exageros) e por suas histórias salpicadas de sangue e humor negro, Tarantino nasceu em 1963 e antes de emigrar para a carreira cinematográfica, foi gerente de uma videolocadora. Fez seu primeiro filme em 1992 (Cães de Aluguel) e dois anos depois lançou o filme que o consagraria na lista de indicados ao Oscar, como melhor diretor: Pulp Fiction – Tempos de Violência.

O diretor excêntrico mais conhecido como Quentin Tarantino

“Bastardos Inglórios”, com Brad Pitt (2009) e “Django Livre” estão entre as mais recentes produções.

Fontes:

http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-15570/

http://atarde.uol.com.br/cultura/noticia.jsf?id=5846187&t=Divulgado+trailer+de++Django+Livre%60+com+DiCaprio

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1104159-novo-trailer-de-django-livre-de-tarantino-e-divulgado-veja.shtml

http://mais.uol.com.br/view/webeg8jzjhsh/django-livre–trailer-1-legendado-04024C993466D8C12326?types=A&

http://whiplash.net/materias/curiosidades/106490-dickdale.html

Robin Cook, meu querido Robin Cook – O caso dos suspenses médicos

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Após um longo tempo sem ler algum livro, devido ao tempo extremamente curto, (trabalho associado com estudos), fui à biblioteca e me deparei com uma obra aparentemente velha, com a capa desbotada até. Mas, como já diz o ditado popular: “não se julga o livro pela capa”, diligenciei em pegá-lo. Mesmo com uma lista infindável de outros livros para me aventurar, resolvi começar com algo que nutrisse o meu velho gosto por mistérios e assassinatos (elos com a “Daphne Blake”, do desenho). A trama que optei por acompanhar trata-se de um delicioso e envolvente romance médico do não menos atraente Robin Cook.

O médico e escritor Robin Cook

Romance médico? Como assim? Pode até lembrar um pouco a série “Dr. House”, mas possui traços bem diferentes, sem lidar com humor, como faz o médico interpretado por Hugh Laurie. E também não possui relações com “Grey’s Anatomy”, outra série médica.

“Cego” é a terceira história que leio deste oftalmologista, que é pouco conhecido, porém, demasiadamente talentoso. Seu estilo assemelha-se, ao meu ver, com o de Dan Brown (“O Código Da Vinci”, “Anjos e Demônios”), pelo fato de seus protagonistas estarem sempre envoltos com algum espécime de conspiração, geralmente complexos.

Robin Cook

O médico nasceu na cidade de Nova York, em 1940. Foi cirurgião residente, até médico de um submarino nuclear (veículo que permite armazenar reatores e armas nucleares). Especializou-se em oftalmologia e na década de 70 escreveu seu primeiro livro, intitulado de “Memórias de um Médico Interno”. Após esta obra, criou “Coma” – tive a mesma neurose com a capa, que ostenta um estilo meio trash, pelo menos a versão dos anos 70 – romance que relata o comércio de órgãos, em que a jovem estudante de medicina, Susan, acaba por descobrir uma vasta corrupção dentro do sistema de saúde.

Capa do livro “Coma”, de Robin Cook, obra que trata de comércio de órgãos humanos

Ele escreveu, dentre suas obras consideradas como Best Selllers, “Mutação” (1989), “Sinais Vitais” (1991), “Cérebro” (1985), “Contágio” (1996), ente outros.

Cook inovou ao aplicar conceitos médicos em suas histórias. Em seus livros, pode ser encontrado desde práticas feitas por um legista (como é o caso de “Cego”), ao funcionamento de substâncias químicas dentro do corpo humano, em suspenses voltados para o público em geral. Isto é, ao ler suas obras, a possibilidade de agregar conhecimento, concomitantemente com o prazer da leitura, é bem provável.

Muitos de seus livros já foram transformados em filmes ou séries de televisão, como por exemplo: Coma, Medo Mortal (1994), Vírus (1995), Terminal (1996) e Invasão (1997).

O jovem que quando criança quis ser arqueólogo, consegue tragar os olhos de cada leitor e ainda o situa no contexto médico, de uma forma clara, sem complicações ou delongas. Ele já abordou temas como: engenharia genética, doação de órgãos, fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas, além de transplante de órgãos. E é nesta parte que ele lembra Dan Brown. Mesmo ao transmitir aos leitores expressões, termos científicos, ele consegue misturar esses ingredientes com um romance, ou melhor, um “romance policial de cinco estrelas”, por assim dizer.

Já li “Vírus” e agora o meu “acompanhante” de viagem e de cabeceira é “Cego”, que conta sobre uma médica, Laurie Montgomery, que ao se deparar com casos de óbito incomuns e cuja razão da morte é parecida, passa a investigá-los, descobrindo ligações entre as vítimas. Até mesmo a Máfia Italiana está presente na trama.

Após finalizar a leitura, volto para a minha “lista”, que devido a escassez de tempo, teria criado fuligem, se fosse de ferro. Felizmente, agora ela será posta em prática: alea jacta est…

Fontes:

“Cérebro” –  Robin Cook. Atualizado em: 24/08/2008. Acesso em: 05/06/2012. Disponível em: <http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=8489>;

Gazola, André. Robin Cook. Atualizado em: 05/02/2007. Acesso em: 05/06/2012. Disponível em:  <http://www.lendo.org/robin-cook/>

Milena, Alba. Resenha: Coma – Robin Cook. Atualizado em: 08/05/2010. Acesso em: 04/06/2012. Disponível em: <http://www.psychobooks.com.br/2010/05/coma-robin-cook.html>;

Retalhos – Trechos perdidos de um diário

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Clipped Notes

Banco de imagens (Stock.xchng)

A casa onde meu avô e minha avó moravam era grande, com dois andares e um cheiro de “roupa guardada” sempre permeava o ambiente. A cozinha era estreita, porém espaçosa, com seu azulejo cor de madeira. Na geladeira do sobrado, isto aos meus sete anos, lembro das garrafas repletas de groselha que ele sempre bebia. Era um mar daquele líquido vinho.

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Eu tinha o hábito de desenhar quando meu avô era vivo e eu era criança. Ele dizia que eu fazia isso muito bem. Eu até pensei, na época, em ser desenhista. Os rabiscos eram a minha fuga da realidade. Lembro também que ele queria que eu escrevesse com a mão direita, mas, nasci canhota e serei até o fim.

Sempre fui assim, meio teimosa.  Embora eu segure a caneca com a mão destra e corte com ela, porque antigamente, muitos materiais eram fabricados para os “certos”, de forma que os “tortos”, como muitos denominam os canhotos, eram forçados a adquirir modos, para adaptar-se.

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Os fogos de final de ano, no bairro onde meus avós moravam, eram esplêndidos. Todos os vizinhos saiam nas ruas, nas praças em volta, para acompanhar de perto as luzes.

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A minha avó, esposa do meu avô em questão, por mais que eu me esforce, só consigo lembrar de uma cena dela. Mas, sei que ela amou todos nós. E nós também, de forma recíproca.

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Meu tio andava de skate. Era o auge dos anos 90 e ele era o típico “jovem rebelde sem causa”: camiseta grande e folgada, com os dizeres de alguma banda da época e o boné virado para trás. Uma vez, subi no skate, pensando que era fácil. Hoje, acho que se equilibrar no metrô é mais fácil.

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Meu avô gostava de me presentear com balas, quando eu era pequena. De vez em quando, ele me levava para o bar, de uma das esquinas. O recinto era simples e nem um pouco receptivo, com seus banquinhos e mesas sujas de plástico. O balcão era cercado daqueles adesivos característicos  dos caminhões das estradas. E nas paredes haviam cartazes, com propagandas de bebidas, das quais eu detestava, mesmo sem experimentar. Detesto até hoje.

Eu não gostava dos homens que frequentavam ali. Não gostava dos seus olhares.

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Meu avô, depois de um tempo, não sabia quantos anos eu tinha.

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Aos sábados à noite, dos quais eu esperava ansiosamente, minha família tinha o hábito de alugar filmes, quando ainda se assistia filmes com a ajuda das locadoras. “O Senhor dos Anéis”, com suas duas fitas cassete, me encantou desde a primeira cena. O macarrão a alho e óleo, que eu jantava, até esfriou no momento. Desde aquele dia, quis desesperadamente completar doze anos de idade (faixa etária permitida para ver o longa) para assistir ao outro filme da trilogia.

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Como eu gosto de complicar as coisas…! “Complicada e Perfeitinha” , já dizia as sábias palavras de “Mulher de Fases”, dos eternos e que nunca mais voltarão a ser os mesmos, “Raimundos”.

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“Dafne…? Nome de bruxa.” – Disse um certo dia uma colega minha.

“Dafne…Parece nome de vampira. Legal.” – comentou uma vez um rapaz.

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Espero que meus avós paternos, e o meu avô materno, estejam bem agora.

Trens, Determinismo e Guy Fawckes

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Acordar antes do galo cantar- um ditado tão popular antigamente -, tomar banho, café e logo em seguida enfrentar o transporte público paulistano, sem filas nas catracas, com os vagões repletos de espaços disponíveis e lugares ditos como “reservados”, sendo definitivamente ocupado por pessoas com deficiência, idosos ou gestantes (até parece que dá pra ouvir a voz do maquinista neste momento). Imagine esta cena ocorrendo por volta das 6:00 da manhã, horário em que muitos passageiros costumam frequentar as estações. É caros, tal situação é utópica, pode até ser considerada impossível.

Aquele que que depende do metrô e do trem pagam R$ 3,00 para poderem embarcar na aventura que é as tão concorridas linhas que existem em todo o Estado de São Paulo. Esse preço, daria pra ir visitar uma exposição no final de semana, no centro da capital, mas não! Devo guardar para o “Bilhete Único”. Se as condições fossem no mínimo “habitáveis”. O uso deste termo foi proposital. É desumano estar em um vagão de trem ou metrô antes da 10:00 da manhã.

Desmond, exemplificando o Behavorismo,em Lost

As pessoas comportam-se como animais (e não como os nossos dóceis cachorros, que são eternos leais). Seus comportamentos assemelham-se a verdadeiros selvagens, como se estivessem todos dentro de uma selva, em busca de alimento. É o chamado “Determinismo”, corrente de pensamento contemporânea do Naturalismo, que defendia a ideia de que as pessoas agem de acordo com o ambiente em que estão, segundo uma das teorias. Afinal de contas, quem poderia deixar um outro Ser Humano cair no chão sem ao menos oferecer ajuda? Não, isso não é possível. Talvez seja melhor explicado com o Behavorismo, em que o ser humano pratica certos atos sem saber o porquê. Isso ocorreu na série “LOST”, em que o Desmond (Henry Ian Cusick), apertava um botão vermelho dentro de sua cabine na ilha, ignorando o motivo. Talvez as máquinas conhecidas como “Homem” agridem uns aos outros sem saber o motivo exato também. Apenas fazem isso porque veem outros fazendo. Complicado. Parece que estamos em um filme do Quentin Tarantino, todos ávidos por sangue!

Fala-se em sabotagem até, devido a questões políticas. Será que temos um Guy Fawckes entre nós, brasileiros mortais? Este personagem fatídico planejou atacar o Parlamento inglês, em 1605. Logo depois foi acusado de traição. O filme “V de Vingança”, baseado em uma HQ também, procurou retratar este revolucionário.

Cada cidadão deveria observar com um outro olhar cada detalhe da realidade. Ela não é o que aparenta ser. Há alienação e (sim!), formas de conspiração contra um sistema vigente. Cada fato que ocorre, não é mera coincidência. O fato de Collor ter sido eleito não foi pelo fato de sua competência como administrador. Se cada pessoa ligasse o seu “botão” de consciência e começasse a perceber e lutar por algo que mudasse suas vidas, talvez o Brasil fosse diferente. Em 2011, por exemplo, para protestar contra  o aumento de salário do prefeito de São Paulo, foi menos de 100 pessoas. Agora, para comentar sobre um reality show, muda de ângulo. Milhões compactuam.

Cena de "V de Vingança"

Sociedade, mude, por favor.

Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/como-guy-fawkes-se-tornou-no-heroi-do-occupy-1519710

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