Folha em branco. É um documento à espera de rabiscos, letras, sílabas, palavras, frases e amiúde sentimentos. Ao ver um papel na minha frente, sentia compulsão em escrever, ou na minha infância, desenhar.

Sempre fui assim. Com 1,50m aproximadamente de altura, jeito eterno de menina e olhos vivos, como uma professora chegou a me dizer recentemente… Meio sonhadora, meio complexa (Meio? Inteiramente!)…Louca…Porém, prefiro ser insana, do que me acostumar a ser como a maioria daqueles que habitam este Planeta denominado Terra. A diferença está na diferença.

Lembro que no quintal da minha casa (isso há muito tempo atrás), existia um matagal extenso, que cobria boa parte do terreno. Na minha imaginação fértil e inocente de criança, corria por ele,como se estivesse a me aventurar por uma floresta perigosa, como se vê nos filmes clássicos… Nessa época Bianca ainda era viva, minha cachorra que praticamente me viu nascer. Quando pequena, gostava de me esconder na casa dela. Deixava meus pais apavorados, mas somente por alguns instantes… Depois, lá estava eu… Meus pais acostumaram desde esses dias com estes “sustos” que eu dava neles.
Adorava brincar com a minha prima (e isso dura até os dias atuais… Agora não mais jogos infantis…). Quando íamos visitá-la, era como se estivesse em outro lugar, não sei dizer qual… Só sei que a considero como uma irmã, que sempre estará ali do meu lado, disposta a ouvir (nem que os desabafos ocorram pela madrugada…). Rimos das nossas palhaçadas, das nossas vidas…
Lembro da primeira vez que comecei a andar de bicicleta. Meu pai me segurando, pacientemente na parte de trás. “Pai, por favor, não solta!”. Mas, quando percebi, ele já havia me libertado e lá estava eu, nos primeiros passos… Tentando o equilíbrio, o tão almejado equilíbrio…
“Comer, Rezar, Amar”, o filme, fala sobre Equilíbrio. Buscamos tão desesperadamente a Harmonia em nossas vidas que nos esquecemos que na verdade, ela não existe. Harmonia, ao meu ver, é Perfeição. Não há algo que seja perfeito. Perfeição é Simetria. Simetria, no mundo natural, é uma utopia. No livro “O Código Da Vinci”, há uma explicação interessante sobre o PHI, um quociente que está presente em tudo o que existe em nossas voltas. Este número , talvez, seja o único “equilíbrio”, ou seja lá o que for, que pode ser constatado no mundo real.

Ao longo da estrada, já conheci uma miríade de gente. Algumas que passaram tão rápido, mas que retiraram sua faca da algibeira e me marcaram de tal forma que, o corte deixado jamais sairá. Seja ela uma cicatriz para ser mostrada como uma prova de coragem, seja ela como uma lição, daquilo que na época não foi bem executado. Outras surgiram inesperadamente, porém, de tão especiais que são, estão trilhando  o mesmo rumo que o meu. Colei o meu coração no coração delas. E vice-versa.
Estou prestes a completar 19 anos de idade. Adulta? Adolescente? Criança? Questão mais difícil essa… Como posso me sentir? Tão nova, mas concomitantemente tão experiente em certas coisas… Sempre fui mais antiga do que as outras meninas da minha geração. Enquanto algumas curtiam poesias bem açucaradas na adolescência, eu adorava ler romances policiais, com seus assassinatos indecifráveis… Queria ser detetive, mas, não possuo coragem o suficiente para ingressar no mundo policial. Vai ver foi por isso que escolhi ser jornalista, que é uma espécie de investigador frustrado.
Não tive festa de 15 anos, daquelas típicas. Mas ganhei presentes que levarei pra toda a Vida. Fiz amizades inesquecíveis nessa época. E mantive outras, igualmente incríveis. Tecendo caminhos, a estrada continua e mais pessoas encontro…
As páginas do livro continuam a ser preenchidas… Ao som de “Anybody Seen My Baby”, uma música dos Rolling Stones que me faz “viajar” no tempo…